sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Male vulnerability and psychotherapy



Corneille is a young singer born in Rwanda. I read his statement on the massacre of his family in Africa, his escape to Germany and then to Canada, until he established himself in France, where he became a great success (Psychologies magazine, dec.2009). However, what most got to me was his affirmation “It’s liberating to realize your own complexity. Even if it’s extremely painful.” He says this while telling how he spent a long time hiding from himself and from everyone around him, believing that he was a survivor, someone “successful.” When feeling confused and lost by the continual assertion of Sophie – the woman he fell in love with – that he denied his experience of suffering, Corneille looked for psychotherapy. It was through this process that he found the value ofbeing in touch with his inner self and his former experiences of losses and grief. “Talking, searching and confronting experiences, even when it was very painful, I regained life and found out freedom,” he said.

I believe that the psychotherapy process as it is, a process that includes being deeply in touch with one’s inner self, is very difficult for everybody, and mostly for men. Why is it so? Because it is there implied theexperience of vulnerability. There is a widespread belief among men that vulnerability is synonym with weakness. And weakness is the “big ghost hunter,” the antithesis of masculinity when understood as “strength”, “resistance”, “hardness”, and “authority”. And then, to answer to this distorted notion of maleness, men pay a high price: not to feel. While repressing feelings of pain, sadness, loss, “tiredness of life,” disappointment, fear of loving and so many others, men prevent contact (and expression) of good feelings, such as joy and genuine pleasures. As Corneille has said about himself, under these circumstances, people will live under masks. And I, myself, believe: they become the so
-called “athletes of stress”.


Male vulnerability
In reality, being vulnerable also means finding the courage to be sincere, open and honest. Many times it means to be open to what other people tell you. Therefore, through dialogue and sharing experiences, we may find out that we are able to change our behavior, opinions and attitudes that until the present moment of life led to conflicts rather than to the satisfaction of needs, or to pleasure and fulfillment. Being vulnerable to people you love or appreciate, to what life brings to you, of good or bad, and to the many experiences that occur throughout time, doesn’t mean in any way to be drifting or that other people will have immeasurable power over you. Being vulnerable just means letting in what comes from others, allowing it to resonate within us and then, express it with our own voice to the world. Nevertheless, in order to do this, we need to put aside any belief that the other person is inherently an enemy. And even if they happen to be, we must be confident that we have resources to deal with the situation.

Is there really a relationship between living the psychotherapy process and the experience of vulnerability? Yes there is. Is it risky? Yes, like every worthwhile relationship. Despite being protected by the commitment of confidentiality, professional ethics and the usually extensive background of the psychotherapist, this relationship is not immune of risks. Not only the risk of the emotional deep touch with yourself but also with the limitations (always possible) of the professional. And why even so is it worthwhile? Because then you can experience the ultimate achievement in psychotherapy (and in life?): “freedom,” as Corneille has said. Mental health is fundamentally the exercise of freedom. In freedom, choices are clearly unfolded and the choice of owning human vulnerability brings with it the bold joy of surrendering.

Vulnerabilidade masculina e psicoterapia



Corneille é um jovem cantor nascido em Ruanda. Li seu depoimento* sobre o massacre de sua família na África, sua fuga para a Alemanha e depois para o Canadá, até se estabelecer na França, onde faz muito sucesso. Mas o que mais me tocou foi sua afirmação “É libertador admitir sua própria complexidade. Mesmo que isso seja extremamente doloroso.” Ele diz isto ao contar como passou muito tempo escondendo-se de si mesmo e de todos que o cercavam, acreditando que ele era um sobrevivente vitorioso, “bem sucedido”. Ao sentir-se confuso e perdido com a afirmação repetida de Sophie, a mulher por quem se apaixonou, de que ele negava sua experiência de sofrimento, Corneille procurou a psicoterapia. E foi neste processo que encontrou o valor do mergulho em si mesmo, no seu passado de perdas e luto. “Falando, buscando, enfrentando as coisas, mesmo quando isso era insuportável, eu recobrei a vida e descobri a liberdade”, diz ele.



Penso que o processo da psicoterapia como mergulho em si mesmo é bastante difícil para todos, mas particularmente para os homens. E um dos temas que me parece aí subjacente é o da vulnerabilidade. Há a crença generalizada entre os homens de que vulnerabilidade é sinônimo de fraqueza. E fraqueza é o fantasma super-perseguidor, antítese da masculinidade entendida como “força”, “resistência”, “dureza”, “autoridade”. O preço pago por atender a esta concepção de masculinidade é muito alto: não sentir. Porque ao suprimir os sentimentos de dor, tristeza, perda, “cansaço da vida”, desapontamento, medo de amar e tantos outros, os homens impedem o contato, (e a expressão), dos sentimentos bons, como a alegria e o prazer genuínos. Como disse Corneille a respeito de si mesmo, é provável que vivam sob máscaras, e eu digo: tornam-se os chamados “atletas do stress”.


Ser vulnerável, na realidade, significa encontrar a coragem de ser sincero, aberto e honesto.  Significa, muitas vezes, ser aberto ao que os outros lhe dizem e assim, pelo diálogo, pela troca, descobrir que pode mudar de comportamento, de opiniões, de atitudes que até então conduziram muito mais a conflitos do que à satisfação de necessidades ou ao desfrute de prazer e realização. Ser vulnerável ao outro, ao que a vida lhe traz de bom e de mal, às múltiplas experiências que ocorrem ao longo do tempo, não quer dizer de jeito nenhum que se vai viver à deriva, que os outros terão um poder desmedido sobre nós. Ser vulnerável é apenas deixar entrar o que vem do outro, permitir que isso soe internamente e, finalmente, se expresse para o mundo. Mas para isso, é preciso acreditar que o outro não é necessariamente um inimigo – e mesmo se for, que temos recursos para lidar com ele.



E há mesmo uma relação entre viver o processo psicoterápico e a experiência da vulnerabilidade? Sim, há. Ela é uma relação arriscada? Sim, como todas as relações que valem a pena. Mesmo sendo protegida pelo compromisso da confidencialidade, da ética profissional, da formação extensa da psicoterapeuta, essa relação não está isenta de riscos. Não apenas dos riscos do encontro profundo consigo mesmo como os advindos das limitações, (sempre possíveis), do profissional. E por que mesmo assim vale a pena? Pela conquista primordial possível na psicoterapia: a da liberdade, como disse Corneille. A saúde mental é, fundamentalmente, o exercício da liberdade. Na liberdade, as escolhas se desvelam com clareza e a vulnerabilidade vivida traz consigo a alegria destemida da entrega.



* Revista Psychologies, nº291, dec. 2009

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

De pretensão e água benta…



Incrível a insensatez e “ousadia” do general que afirmou publicamente em 2010, serem os homossexuais inaptos para a carreira militar. Disse ele que os homossexuais não tem “preparo” para as funções e não seriam respeitados em seus eventuais comandos pelos demais soldados.



De onde tirou isso? Pelo que entendo foi apenas da sua cabeça. É sua opinião pessoal, baseada em… pré-conceitos construídos a partir de sua formação familiar e social. Infelizmente ele não questionou a validade de tal formação, não sabe ou não quis olhar à sua volta. Fez uma pesquisa com válida metodologia? Não. Consultou a bibliografia sobre o assunto? Não. Buscou a experiência de outros países que validariam, ou não, a sua perspectiva? Não.



É lamentável que o pronunciamento do general não fique apenas no âmbito de sua experiência particular. Ele tem poder. E este poder pode prejudicar indelevelmente dezenas ou centenas de cidadãos brasileiros. É lamentável, para dizer o mínimo.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Abertura para o Amor

Sempre fiquei intrigada com as mulheres que dizem querer encontrar alguém para amar e lamentam profundamente não encontrar. Mulheres de todo tipo: lindas, não tão lindas, atraentes, não tão atraentes, inteligentes, dinâmicas ou mais contemplativas, jovens e não tão jovens. Eu poderia listar muitas variações de atributos. Nenhuma responde à questão: por que não encontram?

Todos nós conhecemos a resposta mais imediata: “não há homens disponíveis”.

Sim, há uma diferença matemática permeando homens e mulheres. Na nossa cultura latina, brasileira, há uma crítica, (velada ou não), relacionada à diferença de idade entre eles: a mulher não deve ser mais velha do que o homem. Essa “maluquice” é vivida pelos dois sexos. E é tão arbitrária! O homem precisa ser mais velho para assegurar seu domínio? O lugar do homem é o de provedor e protetor e isto (cada dia se mostrando uma falsa realidade) exige a tal diferença? Se tiver menos idade do que a mulher significa que é inferior a ela? Ah, as coisas que uma cultura inventa para perpetuar suas crenças… O “resultado” é que os homens procuram mulheres em uma longa faixa de idades, enquanto a mulher se obriga a se relacionar com homens mais velhos do que ela, ou, no máximo, pouquíssimos anos mais jovem.

Há muito tempo essa realidade me intriga, me espanta, me irrita. Mas é a experiência de muitas mulheres que mais me interessa e me mobiliza.

No meu trabalho como psicoterapeuta questiono muito esse processo de busca de um companheiro amoroso. Uso da minha formação em Psicomaiêutica, meu modelo socrático, para cuidadosamente elucidar a experiência de cada pessoa. Assim, muitas vezes descubro obstáculos internos para a abertura amorosa.

Um desses obstáculos é o sofrimento intenso vivido em um, (ou mais), relacionamentos anteriores. Sofrimento que não foi superado. É natural que a mulher sinta o desapontamento, a dor, a desilusão, a raiva, a mágoa. Estes sentimentos podem ter sido provocados pelo homem, mas podem também ser fruto de uma fantasia que simplesmente não se realizou como desejada.

É importante que a mulher viva toda essa gama de sentimentos relacionada à perda, mas algumas vezes o que também existe é a dificuldade de admitir sua necessidade de controle do que lhe acontece, até mesmo em um relacionamento amoroso,e da raiva que essa falta de controle provocou.Algo como: “isso não podia me acontecer!” E ela caminha assim para uma exigência emocional e de comportamentos que os homens “não dão conta” de responder. Ou se fecha em si mesma, rancorosa e triste.

O que fazer?

Gosto da expressão da língua inglesa: “let it go” (tradução bem livre: deixe ir embora). E é possível let it go…. Se a mulher se sente bem consigo mesma, se preza o trabalho ou a atividade que desenvolve, se expressa, o afeto que sente por amigos e algumas pessoas da família, se olha o mundo à sua volta e descobre nele encantos simples que a fazem sorrir. Às vezes é necessário um processo psicoterapêutico para tomar consciência de tudo isso e conquistar uma resolução verdadeira que conduza à abertura.

Acredito que a abertura para amar parte dessa resolução mais profunda com a mágoa, o desapontamento e a dor vividos em relacionamentos anteriores. Um processo de se tornar quites com o passado. Não apenas intelectualmente, mas lá no fundo do coração…

Uma última reflexão: o que descrevi, relacionado às experiências amorosas do passado, pode também receber um olhar para o passado mais antigo, aquele vivido na primeira família, com pai, mãe, irmãos. Esse olhar não é determinante, não é imprescindível, não penso psicanaliticamente.

E ainda não falei dos homens e como se dá sua abertura para o amor…

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Dicas de Saúde



Além de tratar problemas e questionamentos a psicoterapia também contribui para melhorar a sua saúde. E a primeira dica dessa nova seção é: considere sua saúde como um estado, ou condição, que não é dividida entre “física” e “mental”. O que acontece no corpo físico repercute, de várias formas possíveis, na sua mente. E vice-versa.
 
Preste atenção ao que o seu corpo lhe diz sobre seu estado mental. Se você sente dor de cabeça, por exemplo, seu corpo pode estar lhe dizendo que você precisa cuidar do que está se passando em sua mente.
 
O estresse é um dos fatores de risco para doenças cardiovasculares, como por exemplo, a hipertensão. Cuide, a cada momento do dia, para não se exigir mais do que pode fazer. Cuide para não ruminar pensamentos repetitivos Crie intervalos para respirar, por poucos instantes, lenta e profundamente.
 
Para saber mais sobre o tema, visite o site.