Pesquisas recentes realizadas na
Europa e nos Estados Unidos, por médicos e psicólogos, evidenciam a influência
negativa do distresse – o estresse prejudicial à saúde – na vida de
trabalhadores. Participantes do Congresso Internacional de Ambiente de Trabalho
e Doenças Cardiovasculares, na Califórnia, apresentaram pesquisas que indicam
que estressores como pouca recompensa pelo esforço no trabalho, ambiente hostil
e horário longo de tarefas podem determinar o risco dos trabalhadores para
doenças cardiovasculares1.
Quando o trabalhador, operário ou
gerente, não tem autoridade para tomar decisões, tampouco controle sobre seu
processo de trabalho e muita insegurança quanto permanecer na função, é
provável que viva um alto nível de distresse psicológico e, a partir dele, o
risco de desenvolver uma doença cardiovascular .
Homens e mulheres vivem exigências relacionadas ao trabalho que muitas
vezes superam seus recursos para lidar com elas. Horários rígidos,
multiplicidade de tarefas, baixos salários, competição no mercado, são
condições que poucos avaliam corretamente como drasticamente prejudiciais à
saúde. Muitas vezes encontro pessoas que acreditam que podem trabalhar mais,
esforçar-se mais, dedicar mais horas do lazer para preencher supostas lacunas
da jornada de trabalho. Os filhos são quem mais reclamam e se ressentem deste
super-empenho. Eles querem não apenas
mais companhia e cuidados, mas temem pela vida dos pais. Intuitivamente
sabem que as demandas excessivas afetam o corpo, e nele, sobretudo o coração.
Procurar formas de lidar com as pressões do trabalho que
sejam preventivas de doenças cardiovasculares é um projeto de vida valioso. Criar pausas para relaxar durante o dia,
entrar em contato com os próprios sentimentos, ter uma percepção de si como
finito, valorizar sua vida afetiva – e, portanto buscar o apoio de colegas,
amigos e familiares – são variedades do manejo de estresse indicadas por
especialistas.
O trabalho e o salário são
fundamentais na vida da maioria das pessoas, mas não merecem qualquer preço a
pagar por eles. Os riscos de doenças coronarianas, já comprovados, advindos da
ansiedade excessiva, do trabalho extenuante, da irritabilidade contínua,
indicam a necessidade das pessoas refletirem sobre seus valores, prioridades e
projetos de vida. Muitas vezes só se dão conta disso depois de um diagnóstico
de hipertensão arterial ou de um evento cardíaco mais sério como o infarto do
miocárdio. É quando a experiência de crise conduz a um questionamento de tudo
que constitui a vida do indivíduo.
Por que não adiantar o relógio de
uma tal crise e reavaliar logo seu mundo do trabalho?



