sexta-feira, 16 de maio de 2014

É bom ter consciência das coisas? Pra que serve?

Eu trabalho com isso: estimular as pessoas, no processo psicoterapêutico, a ter consciência do que vivem e, desse modo, fazer escolhas de vida que respondam a seus desejos ou necessidades.
E mais: os “processos mentais”, conscientes e inconscientes, têm um lugar relevante na nossa saúde. Fazer com que os pensamentos e sentimentos negativos – como medo, hostilidade, ressentimento, culpa – surjam na consciência, é parte do tratamento eficaz de doenças. Daniel Siegel, diretor do Mindsight Institute, na Universidade da Califórnia, afirma que esses pensamentos e sentimentos influenciam a saúde da mente, sua flexibilidade e fluidez, sua alegria e a experiência da gratidão. Eles causam impacto nos relacionamentos e no próprio corpo, sobretudo nos sistemas nervoso, imunológico e cardiovascular.
Recentemente o campo da psicoterapia recebeu uma contribuição valiosa da tradição oriental: a mindfulness meditation. Resumidamente podemos dizer que é um modo de ser-no-mundo no qual o foco da consciência e das sensações corporais estão no que acontece, ou se apresenta, no tempo presente. É a concentração da “atenção plena” (uma tradução possível de mindfulness) que permite a clareza, o discernimento, a consciência, do que é vivido – para além da ansiedade, da distração, da dor física, do medo.

Este modo de meditação está sendo utilizado tanto como parte de um processo de psicoterapia como uma experiência de aprendizado em si mesma.

terça-feira, 13 de maio de 2014

BARRA DA TIJUCA

Few months ago, returning from a dreaming trip to France, I wrote in this blog about “the Africa in Paris”, described my amazement about the gap between the white and prosperous population and the black poor one from the outskirts of the city of Paris.
I lived a similar experience…in Barra da Tijuca! Taking advantage of a free rare afternoon, I decided to do by bus, the Ipanema - Barra da Tijuca route - something I’d wished doing for quite some time, simply for the pleasure of looking around without worry about driving. It was fine, easy and quick: in less than half an hour I arrived to the big shopping mall. Arriving in Barra I was surprised (one more time) with the rising number of new luxurious buildings, and with the fact that there weren’t people walking on the avenue. I decided to visit the shopping mall before taking back the same bus, at the same bus stop which I had got out and, go back to Ipanema.
I walked into two very good bookstores, set down on an armchair of the first one and read an American article, without buying the magazine… I had a great cup of coffee, walked a lot, my right foot started to hurt - showing that it was time to stop.
I walked back to the bus stop I was recommended to choose, waiting for the bus coming from Ipanema. It would certainly be emptier, I was told. It would go to the last bus stop and then make the turn back to Ipanema.
Fifty minutes later and no bus! What to do? Keep on waiting or cross five lanes at the traffic light that was about 60 meters distant, to take the bus on the opposite side? The sun was still scorching, my feet hurting from walking in the mall, and the watch showing 5 o’clock… It was then that I witnessed an unexpected scene (at least for me) in this part of the town: dozens of people (few hours before there weren’t anybody around!) running from one side to another, chasing their buses, dozens of them, with signals indicating neighborhoods from the west side, the north side of the city: Taquara, Campo Grande, Madureira, Cidade de Deus, São Cristovão, Vila Kennedy, Tanque, Méier. They would make triple lines because there wasn’t enough room for them to park by the sidewalk. And people were running back and forth after their buses, wherever they would park. Bus stop! Not even think of it. I stood there, dizzy from the heat and astonishment. Is this also Barra? Hundreds of men and women modestly dressed, from all ages, sweating and breathless. I suppose they were employees from the shops, offices, clinics and schools. Was that the end of a working shift? Could be.

Living, once again, the contrast and all that it implies (the social inequalities, the political neglectfulness, the absurd sharing of privileges), so close – it was good. Good, doesn’t mean pleasurable. But it made me think: I’m part of this world, just like it is. I’m in it, and I don’t want to leave it.

Barra da Tijuca

Alguns meses atrás, voltando de uma sonhada viagem à França, escrevi neste blog sobre “a África em Paris”, narrando minha perplexidade diante do fosso existente entre a população branca e próspera e a negra e pobre da periferia da cidade de Paris. 
Vivi uma experiência semelhante há algum tempo… na Barra da Tijuca! Aproveitando uma tarde rara de folga, decidi fazer de ônibus o percurso Ipanema - Barra da Tijuca – há muito desejava fazer isso, simplesmente pelo prazer de olhar em volta sem me preocupar em dirigir. Tudo bem, foi fácil e rápido: em menos de meia hora cheguei ao grande shopping. Entrando na Barra me surpreendi (mais uma vez) com o crescente número de prédios novos e luxuosos, e com o fato de que havia pouca gente caminhando pela avenida. Decidi visitar o shopping antes de pegar o mesmo ônibus, no mesmo ponto em que desci (instruções da cobradora) para voltar a Ipanema.
Entrei em duas livrarias muito boas, sentei na poltrona da primeira delas e li um artigo americano, sem comprar a revista. Tomei um ótimo café, andei muito, meu pé direito começou a doer — sinal de que era hora de parar. Cinquenta minutos depois e nenhum ônibus! O que fazer? Continuar esperando ou atravessar cinco pistas no sinal que estava a uns 60 metros de distância, para pegar um ônibus no sentido contrário? O sol ainda estava de rachar, os pés doiam da caminhada pelo shopping e o relógio marcava 17 horas… E foi então que assisti a uma cena inesperada, (pelo menos para mim), nessa parte da cidade: dezenas de pessoas (poucas horas antes não havia ninguém por ali!) correndo de um lado para o outro, à “caça” de seu ônibus, dezenas deles, com placas que indicavam bairros da zona oeste, da zona norte: Taquara, Campo Grande, Madureira, Cidade de Deus, São Cristóvão, Vila Kennedy, Tanque, Méier. Eles faziam filas triplas porque não havia espaço e tempo para estacionarem junto à calçada. E assim as pessoas ficavam como baratas tontas, correndo atrás do seu ônibus, onde quer que eles parassem. Ponto de ônibus? Nem pensar. Eu, parada ali, tonta de calor e de espanto. Isso também é a Barra? Centenas de homens e mulheres modestamente vestidos, de todas as idades, suando esbaforidos. Suponho que eram trabalhadores das lojas, dos escritórios, clínicas e colégios. Um primeiro turno de trabalho que àquela hora terminava? Podia ser.

Viver, mais uma vez, o contraste e tudo nele implícito (a desigualdade social, o descaso político, a distribuição absurda de privilégios), assim tão perto, foi bom. Bom não quer dizer prazeroso. Mas me fez dizer: eu sou parte desse mundo, assim mesmo como ele é. Estou dentro dele, e não quero sair.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Em defesa das psicoterapias psicodinâmicas

Há tempos venho escrevendo e conversando com colegas sobre as mudanças que estão acontecendo no campo da Psicoterapia. Uma delas é a ênfase que a sociedade e a mídia dão a diagnósticos, distúrbios e síndromes relacionados à saúde mental: depressão, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), stress pós-traumático e outros. Eu me sinto “estrangeira” — mesmo sem estar sozinha nisso — por considerar que, como psicoterapeuta, não trato de diagnósticos, síndromes ou de sintomas. Trato pessoas, que são muito mais complexas do que isso.

E eis que encontro um instigante artigo na revista norte-americanaScientific American Mind (nov./dec.2010) que veio ao encontro de algumas coisas que penso, relacionadas às psicoterapias identificadas como “psicodinâmicas” ou “profundas”, como as vertentes da psicanálise e da fenomenologia-existencial. O autor do artigo, Jonathan Shedler,[1] enumera algumas características que distinguem essas psicoterapias e descreve resultados de pesquisas que demonstram como elas são mais eficazes do que outras formas de tratamentos que ele denomina de “vapt-vupt” (minha versão para “quick-fix”), i.e., são de curto prazo e voltadas a eliminar sintomas (e que, by the way, atendem aos interesses de planos de saúde que querem pagar o mínimo possível para atendimentos de saúde mental). Diz ele que a grande aceitação da terapia cognitivo-comportamental reside na sua proposta de cura rápida — o que é considerada uma vantagem pela maioria das pessoas que buscam alguma forma de tratamento de suas aflições. E para os psicoterapeutas (psicólogos e médicos), esta aceitação é justificada pelo fato de que as terapias cognitivo-comportamentais encontraram acolhida nas universidades, que recebem fundos governamentais e privados para realização de pesquisas — o que constitui fonte de trabalho e de renda para muitos professores universitários, sobretudo nos EUA.
Creio que as descrições e comparações feitas por Shedler podem também ser aplicadas em relação às chamadas “terapias complementares”,[2] como Florais de Bach, Reiki, Cromoterapia, Massoterapia, e tantas outras que florescem a cada dia. Mesmo sendo realizadas por profissionais sérios e dedicados, elas se distinguem radicalmente das psicoterapias psicodinâmicas. Mas como respondem ao chamado do tempo breve de empenho da sociedade atual — e seu corolário significativo, ou seja, a economia de gastos financeiros — e à exigência de também menor tempo e complexidade na formação do profissional, estas terapias, não deliberadamente, acabam por obscurecer a qualidade transformadora e profunda da Fenomenologia-Existencial e da Psicanálise.

Com precisão, Shedler descreve algumas das características distintivas da psicoterapia psicodinâmica:

  • O encorajamento, por parte dos psicoterapeutas, para que seus pacientes explorem suas emoções em profundidade, não importa o quão contraditórias, ameaçadoras ou perturbadoras elas sejam. Neste sentido, diferenciam-se das TCC, que colocam o foco do trabalho terapêutico em pensamentos.
  • A investigação dos padrões recorrentes de comportamentos e reações, como, por exemplo, quando um homem ou uma mulher se envolve repetidamente com pessoas casadas ou comprometidas; ou quando sabotam oportunidades de trabalho; ou quando repetem com os filhos — e se condenam por isso — comportamentos que seus pais tiveram com eles.
  • O reconhecimento de que experiências passadas afetam a vida presente. É pela exploração do que foi vivido na infância, ou em tempos bastante anteriores ao atual, que é possível ajudar as pessoas a se libertarem das amarras desse passado, evidentes no sofrimento presente, permitindo a elas viver mais plenamente.
  • A exploração dos padrões de relacionamento críticos. Muitas pessoas não reconhecem estes padrões e o quanto eles influenciam, de modo problemático, sua vida amorosa e profissional. Por exemplo, algumas pessoas não expressam suas necessidades emocionais por medo de uma rejeição e, como consequência, não preenchem essas necessidades — uma via para a vulnerabilidade à depressão.
  • A valorização da vida de fantasia. A psicoterapeuta estimula e facilita a expressão de sonhos e fantasias que muitas vezes revelam os desejos, esperanças e medos que ocupam um lugar importante na vida das pessoas.
  • A atenção cuidadosa das diferentes facetas da relação paciente-psicoterapeuta. Esta relação é um elemento fundamental do processo terapêutico e no estabelecimento da chamada “aliança terapêutica”, indispensável para se obter um resultado positivo. Graças a ela, é possível analisar os modos como o paciente reproduz, nesta relação, seus padrões habituais de relacionamentos com pessoas significativas de sua vida e que, por sua vez, são origens de distorções e sofrimento. Por exemplo, uma pessoa que tem dificuldade em viver a intimidade evitará se revelar para o terapeuta, enquanto outra que teme a rejeição insistirá em se mostrar uma “boa” paciente.
Para Shedler, “todas as psicoterapias devem aliviar sintomas, como ansiedade ou depressão. Mas os tratamentos psicodinâmicos ambicionam mais do que isso: a construção de forças psicológicas profundas — como a capacidade de estabelecer relacionamentos plenos, a capacidade de fazer bom uso dos próprios talentos, e a possibilidade de encarar os desafios da vida com maior liberdade e flexibilidade.”
Por que este empenho todo para falar de algo que nós, analistas existenciais e psicanalistas, sabemos todos?
Creio que Jonathan Shedler quis trazer à tona as especificidades das psicoterapias psicodinâmicas, mostrar que há inúmeras pesquisas que apontam seus benefícios e resultados positivos, mencionar quanto estes aspectos andam “escondidos” por causa da divulgação extensiva das “vantagens” de uma terapia breve e pragmática. Eu acrescento que há ainda o nosso contexto sócio-cultural no qual a rapidez e o pragmatismo têm um lugar privilegiado e, mais ainda, no qual acontece a grande influência da academia e das instituições americanas que tanto privilegiam estes aspectos e tanto desqualificam a subjetividade e a complexidade do entrelaçamento sujeito-mundo.
Shedler afirma ainda — algo inédito e polêmico — que sua procura pelas pesquisas que apoiam a terapia psicodinâmica aconteceu a partir do encontro com inúmeros pacientes que passaram de um tratamento “vapt-vupt” para outro, com pouco ou breve aproveitamento. Ele afirma que a tentativa de mudar pensamentos negativos — um aspecto fundamental da terapia cognitivo-comportamental — não atinge a raiz dos problemas. Os pacientes podem se sentir melhor por algum tempo, mas depois voltam a repetir os padrões que causam sofrimento.
Finalizando, muito me tocou uma conclusão deste artigo: os resultados benéficos da psicoterapia psicodinâmica continuam mesmo depois de seu término. Porque esta é uma parte importante de minha vida: a Psicomaiêutica, uma modalidade da abordagem fenomenológica-existencial criada por Miguel Callile Jr.. Esta abordagem é o fundamento da minha formação profissional, da minha experiência como paciente, de minha conquista do bem viver e da minha contínua aprendizagem do viver com os outros. Graças e ela, estou segura disso, pude recentemente receber carinhosas palavras de despedida de uma jovem cliente:
“Obrigada por plantar em mim essa semente que me fez buscar ser uma pessoa melhor, mais em contato com os meus sentimentos, mais sincera e honesta comigo mesma. Obrigada por me dar a mão nos momentos em que esse caminho pareceu tão escuro e assustador.” [3]


[1] Professor de psiquiatria na Escola de Medicina da Universidade do Colorado e diretor de psicologia do Serviço de Psiquiatria no hospital da mesma Universidade.
[2] Prefiro usar “complementar” a “alternativo”.

[3] Frase reproduzida com a autorização da sua autora.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

A TRIP TO FRANCE IV

I remembered this incredible word while traveling around France. Serendipity. In Portuguese, serendipitismo – weird, isn’t it? Even in English it is not a familiar word. Its meaning? “Something interesting or pleasant which happens by chance”, a “serendipitous discovery”, according to the Webster. I end up deciding to use the English noun to describe a unique experience in Arles, the Provence charming old town.

We had visited the historical city center. Tired of walking we decided to stop for dinner, even though it was a little early. In a picturesque square, we found a very simple restaurant. We sat on the porch with its tables barely covered, and cold aluminum chairs. Hanging on a canvas in front of us, the name of the place. It mentioned Van Gogh (I don’t remember now the full name). So, we thought: Yes, he was around here, around these streets and alleys. Soon the recognition! That lantern right there on the top, isn’t it like the one in Van Gogh’s painting? Omar, my companion, answered: I guess that in Van Gogh’s painting there are many lanterns. Everything around looks like the painting we know, however in a very deteriorating way…

While we were dining we heard some enthusiastic screams from somewhere nearby, on the same side of the big square we were in. Then a pause, and more louder screaming. It sounded like people cheering at a soccer match.

After we paid the bill, another “wave” of screams was heard. Irresistible. Let’s go see it? It was really a group of smiling men, excited, crammed at small tables inside of what we could call a “botequim” (the brazilian typical tavern). And there it was: a TV hanging from the ceiling, just like we have here in Brazil. We entered there exactly when one of the men was shouting: Messí! Messí! Accenting the last syllable, as the French do with all foreign proper names. Trois gols! Trois gols! (three goals). Being Omar Argentinean, we smiled. We decided to sit among the overjoyed people. It was the Barcelona soccer team game, of course. They talked among themselves - shouted, rather- motivated by the performance of the Argentinean striker Messi.

I felt so involved by the cheering atmosphere, so happy to share an authentic experience with  people living in a historical city, so different from the ones in my country…. A combination of foreignness with the absolute familiarity of the situation made me feel euphoric. I was cheering and yelling, until Messi scored the fourth goal of the match. Phew! How incredible ! And I’m not even a classic soccer supporter, I don’t have a  team that I cheer for, but when I’m watching a soccer match on TV I like to choose one. I have a very personal way of doing it.

We left the “botequim” very happy. Serendipity, I thought.
How good it is to experience something so unexpected, very much by chance, and so special.

On the next day, already on the road, I flipped through a small book bought at a museum in Arles. And there it was: a picture of Van Gogh’s painting “The café at night”. It was it! It was really the same sad restaurant, where we had dinner the night before! Serendipity.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Uma Viagem IV - Serendipity

Lembrei dessa palavra incrível enquanto viajava pela França. Serendipity. Em português, serendipitismo – esquisita, não? Mas é o que consta no dicionário inglês-português. Teria sentido usá-la? Mesmo em inglês, ela não é familiar. Seu significado? “Alguma coisa interessante ou agradável que acontece por acaso”, a “serendipitous discovery”, segundo o Webster. Acabo me decidindo a seu favor para descrever uma experiência única em Arles, na Provence...

Tínhamos visitado o centro histórico da cidade. Cansados de muito caminhar decidimos parar para jantar, mesmo sendo um pouco cedo. Encontramos uma pracinha pitoresca, um restaurante bem simples. Sentamos na varanda, as mesas mal cobertas, as cadeiras frias de alumínio. Pendurado em uma lona, na nossa frente, o nome do lugar. Falava em Van Gogh (não me lembro do nome completo). Logo pensamos: É, ele andou por aqui, por essas ruas, por essas vielas. E a seguir, o reconhecimento! Aquela lanterna ali em cima não é igual ao do quadro do Van Gogh? Omar, meu companheiro, respondeu: acho que no quadro há várias lanternas. Digo que tudo em volta é bem parecido ao quadro, mas com um jeito tão decadente…

No meio de nosso jantar começamos a ouvir gritos de entusiasmo vindos de um lugar próximo ao restaurante, do mesmo lado da praça. Uma pausa, mais outros gritos fortes. Imaginamos logo: parece os gritos de quem está torcendo em uma partida de futebol. Quando pagamos a conta no restaurante, outra “onda” de gritos. Irresistível. Vamos ver? Realmente, era um grupo de homens risonhos, eufóricos, amontoados em pequenas mesas dentro do que poderíamos chamar de um botequim. A televisão pendurada no teto, igualzinho ao que temos aqui no Brasil. Entramos no momento exato em que um dos homens gritava : Messí! Messí!, acentuando a última sílaba como habitualmente fazem os franceses com todos os nomes próprios estrangeiros. Trois gols! Trois gols! (Três gols). Sendo Omar argentino, ficamos nós também MUITO sorridentes. Decidimos nos sentar entre os animados frequentadores. Era um jogo do Barcelona, claro. Todos falavam entre si – gritavam, melhor dizendo –, empolgados com a atuação do artilheiro argentino Messi. Eu me sentia tão envolvida pelo clima de torcida, tão contente por partilhar uma experiência autêntica de pessoas dessa cidade, cuja história é tão diferente da de meu país… A combinação de estrangeirice com a de absoluta familiaridade da situação me deixou eufórica. Também eu torcia aos gritos, até que Messí fez o quarto gol da partida . Ufa! Que coisa incrível! E olha que eu nem sou torcedora clássica de futebol, “não tenho” um time, nada. Gosto de torcer por um time quando assisto à partidas pela TV. Escolho na hora por quem vou torcer. Tenho uma lógica muito pessoal para fazer isso.

Saímos felizes do “botequim”. Serendipity, pensei.

Como é bom viver algo inesperado, muitíssimo por acaso, e tão especial. Viajar turisticamente também é isso?


No dia seguinte, já na estrada, folheei um livrinho que havia comprado em um museu de Arles. E lá estava a fotografia do quadro de Van Gogh “O Café à Noite”. Era ele! Era mesmo o restaurante triste no qual jantamos na véspera! Serendipity.

About Myself

I am a psychologist, Ph.D., graduated from the Federal University of Rio de Janeiro, Brazil, psychotherapist within the existential – phenomenological approach. My first and longest training as a psychotherapist, apart from the University studies, was taken at the Society of Existential Analysis and Psychomaieutic, an institution created and oriented by dr. Miguel Callile Jr in 1983.

Few years ago, I included in my practice the experience of training and co-coordination in groups of Body Therapy and Transformational Energetics, under the guidance of Ann Case Bowman, in the USA.
At the Institute of Psychoneuroimmunology, Psychosomatic and Stress, São Paulo, I came to study, during two years and a half, in the nineties, mostly the areas of psychoneuroimmunology and stress. This was an important moment of my career when then I tried to integrate areas of study and current researches that seek the view which rejects the dichotomy between the body and psychological phenomena.
The assertion that the emotional, the cognitive and the existential experiences have an intrinsic correspondence with what happens in the organism, in the physical body, has three important consequences:
1)The need of knowing and exploring the correlation between what an individual feels and thinks, and what happens with his body when he is in an unstable state, suffering or ill – and vice-versa.
2)The need of therapeutic interventions that include these knowledges and so
3)The importance of the integration between psychological and medical care, as well as the consideration of the social and cultural context in which the individual is inserted.
A specific area of my work related to this integration is the caring of people with heart diseases. It is now evident that they do need to reduce stress and change their lifestyles. It is also evident that the process of brief psychotherapy is helpful for those individuals in the way that it clarifies values and behaviors, and makes choices easier and more compatible with the consequences of a heart disease.
From my philosophical concept of the human being as fundamentally a being-in-the-world, and as a unity of body and mind (or spirit, or psyche – any name for the non-material), it was natural for me to approach the new findings of neuroscience and some notions and practices of the Tibetan Buddhism, both of which also consider this unity, no matter how distinctive they are in principles and methodology.

I consider my work as a psychotherapist as being more than the result of a collection of trainings and studies. It is also a form of art; since it demands creativity, improvisation, trust in the richness of intuition, and clarity. It is also an art (not just a technique or an academic subject) if one considers that the work with each individual is unique and must remain so throughout the whole process.