Há quem acredite que se deve
controlar a raiva, evitar situações tristes ou que possam resultar em mágoa,
substituir as emoções por atitudes bem pensadas, racionais, que o impedem de
entrar em conflitos com os outros. Seria isso possível? Seria este o melhor que
se pode fazer para si mesmo?
Acreditamos que não, pois as emoções – ainda que muitas vezes intensamente
perturbadoras – nos fazem sentir mais
próximos de nós mesmos, mais vivos, agregam riqueza, profundidade e beleza à
vida cotidiana. Todos, de alguma forma, sabemos disso, mas muitos de nós,
inconscientemente, se recusam a sentir
em consequência das defesas erigidas a partir da infância contra dores reais ou
imaginárias. Por exemplo, o desconfortável desamparo provocado por um pai
ausente pode levar uma criança a fechar-se em si mesma ou a ficar indiferente à
pessoa que a magoa – e o que é pior, a levar para a vida adulta esse tipo de
postura. Ignora, no entanto, que um muro
construído para refrear o avanço da dor acaba por impedir a ocorrência do
prazer e dos pequenos ou grandes momentos de felicidade.
No entanto, é possível aproximar-se das emoções e retirar delas todos os seus
benefícios, desde que se entenda que as autodefesas construídas no decurso
da vida constituem um empecilho ao pleno sentir e que devem, portanto, ser
revistas. De fato, as defesas necessárias à proteção de uma criança desamparada
(devido à pouca idade) acabam por limitar o adulto
no qual ela se transforma.
Desafio: Decida qual defesa
desafiar e aprenda o que esperar na medida em que você “coloca uma distância
psicológica” de si mesmo. E aí jogue sua defesa fora. Procure encontrar o sentido das emoções que começarão a emergir. Identifique
de onde elas vêm, com a ajuda de um diário, de um amigo ou de uma psicóloga.
Uma viagem de descoberta de si
mesmo leva tempo e não é sempre fácil. Você estará desafiando a si mesmo de uma
maneira que pode fazê-lo sentir-se desconfortável. Você precisará conduzir esta
auto-exploração com justeza(?) e
compaixão por si mesma. NUNCA adote uma posição de julgamento, de impaciência,
de dureza (harsh) punitiva diante de suas limitações. NUNCA seja crítica de si mesma.
Você não é diferente ou pior do que ninguém. Todos nós sofremos com
as limitações emocionais de nossa vida. Mas as emoções são preciosas bússolas
no encontro de si mesmo, no auxílio às intuições, na ajuda a discriminar o que
é realmente importante nas situações de vida.

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