sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Uma viagem a Buenos Aires

No final de 2009 fui a Buenos Aires e mais uma vez me deliciei com a arquitetura dos antigos edifícios do Barrio Norte, da Recoleta, do microcentro. As varandas de ferro, cheias de ornamentos, graciosas. Os jacarandás estão floridos, mesmo com o calor intenso. As flores começam a cair, cobrem o chão de lilás. É muito bom sentar-me em um dos inúmeros cafés e ver mulheres idosas, em grupos, que conversam animadas, tomando um “cortado” ou o gostoso e elaborado capuccino. Sempre me surpreendo com isso. Parecem mulheres independentes, amigas entre si, falam muito. Não vejo tanto esses grupos no Rio. Será por causa da violência na nossa cidade? Ou é mesmo um costume próprio das portenhas? O fato é que me encantam. 

Buenos Aires é mais uma daquelas cidades nas quais o melhor programa a fazer é mesmo  o das caminhadas. Para “esbarrar” em fantásticas livrarias ou apenas sentar em um Café, pedir um expresso acompanhado de medialuna, para descansar o corpo exausto.

Fui ver o filme do diretor argentino Campanella (El secreto de tus ojos), com meu ator favorito: Ricardo Darín. É MUITO bom. Vale a pena acompanhar seu possível aparecimento. Além de o roteiro ser primoroso, é bom ver a semelhança das personalidades de argentinos e brasileiros. Como sempre, prefiro pensar nas semelhanças do que nas diferenças entre nós. O mundo já tem diferenças e preconceitos demais para o meu gosto. E não é nada difícil encontrar nossas semelhanças latinas.

É verdade que como turista posso me deter nos prazeres estéticos e gastronômicos. A cidade é linda, a comida (tão barata!) excelente e variada nas suas origens (regional do país, francesa, tailandesa, japonesa e… a magnífica espanhola). Mas não é possível ignorar que a população (a amostra que encontrei me parece significativa) anda infeliz e crítica com a vida no país. Desconfiam muito dos atos do governo, queixam-se dos baixos salários, das dificuldades do viver cotidiano. Uma amiga contou-me que a minha área de trabalho – a psicoterapia – está mal. Outro dia ela viu uma psicóloga deixando seu cartão profissional nas mesas do restaurante no qual se encontrava. Fiquei perplexa. O famoso bairro de psicanalistas (“Villa Freud”) está esvaziado: muitos profissionais deixaram as salas de consultório para trabalhar em casa, outros não mais trabalham. Como aqui, as inúmeras faculdades particulares “despejam” formandos que não encontram trabalho ou não podem arcar com os altos custos envolvidos na manutenção da clínica em Psicologia.


Enfim, gosto muito de Buenos Aires, de apreciar o bom e acrescentar experiências que enriquecem minha visão de mundo. Tomara que elas também sirvam para eu contribuir positivamente na vida das pessoas com quem trabalho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário