No final de 2009 fui a Buenos Aires e
mais uma vez me deliciei com a arquitetura dos antigos edifícios do Barrio
Norte, da Recoleta, do microcentro. As varandas de ferro, cheias de ornamentos,
graciosas. Os jacarandás estão floridos, mesmo com o calor intenso. As flores
começam a cair, cobrem o chão de lilás. É muito bom sentar-me em um dos
inúmeros cafés e ver mulheres idosas, em grupos, que conversam animadas,
tomando um “cortado” ou o gostoso e elaborado capuccino. Sempre me surpreendo com isso. Parecem
mulheres independentes, amigas entre si, falam muito. Não vejo tanto esses
grupos no Rio. Será por causa da violência na nossa cidade? Ou é mesmo um
costume próprio das portenhas? O fato é que me encantam.
Buenos Aires é mais uma daquelas
cidades nas quais o melhor programa a fazer é mesmo o das caminhadas. Para “esbarrar” em fantásticas livrarias ou apenas
sentar em um Café, pedir um expresso acompanhado de medialuna, para descansar o
corpo exausto.
Fui ver o filme do diretor argentino
Campanella (El secreto de tus ojos), com meu ator
favorito: Ricardo Darín. É MUITO bom. Vale a pena acompanhar seu possível
aparecimento. Além de o roteiro ser primoroso, é bom ver a semelhança das
personalidades de argentinos e brasileiros. Como sempre, prefiro pensar nas
semelhanças do que nas diferenças entre nós. O mundo já tem diferenças e
preconceitos demais para o meu gosto. E não é nada difícil encontrar nossas
semelhanças latinas.
É verdade que como turista posso me
deter nos prazeres estéticos e gastronômicos. A cidade é linda, a comida (tão
barata!) excelente e variada nas suas origens (regional do país, francesa,
tailandesa, japonesa e… a magnífica espanhola). Mas não é possível ignorar que
a população (a amostra que encontrei me parece significativa) anda infeliz e
crítica com a vida no país. Desconfiam muito dos atos do governo, queixam-se
dos baixos salários, das dificuldades do viver cotidiano. Uma amiga contou-me
que a minha área de trabalho – a psicoterapia – está mal. Outro dia ela viu uma
psicóloga deixando seu cartão profissional nas mesas do restaurante no qual se
encontrava. Fiquei perplexa. O famoso bairro de psicanalistas (“Villa Freud”)
está esvaziado: muitos profissionais deixaram as salas de consultório para
trabalhar em casa, outros não mais trabalham. Como aqui, as inúmeras faculdades
particulares “despejam” formandos que não encontram trabalho ou não podem arcar
com os altos custos envolvidos na manutenção da clínica em Psicologia.
Enfim, gosto muito de Buenos Aires, de
apreciar o bom e acrescentar experiências que enriquecem minha visão de mundo.
Tomara que elas também sirvam para eu contribuir positivamente na vida das
pessoas com quem trabalho.
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