segunda-feira, 7 de julho de 2014

Um Adorável Piazzola

Graças a uma gentil amiga, consegui entradas para assistir ao show do conjunto Escalandrum, em Petrópolis. A noite estava fria, o inverno aqui é assim mesmo. (Uma chance de usar casaco de lã, gola alta, meias grossas). Eu não tinha muita expectativa, minha motivação principal era participar um pouco do Festival de Inverno da cidade de um modo prazeiroso, já que gosto muito de tangos, especialmente das composições de Astor Piazzola. E o líder do conjunto era nada menos que o neto de Piazzola, Daniel. Será que isso queria dizer alguma coisa? Hum… sei não, resmungava eu, desconfiada do “aproveitamento” do sobrenome famoso.
Chegamos ao teatro em cima da hora. O trânsito em Petrópolis está cada dia mais intenso e confuso. Mas encontrar a sala cheia de gente encasacada e elegante, muitas se cumprimentando animadas, como acontece em toda cidade pequena, é muito estimulante para mim, já que vivo bastante isolada, fora do centro.
Escalandrum é um conjunto de seis músicos argentinos: um sax baixo, dois saxofones, piano, um contrabaixo e Daniel Piazzola na bateria. Todas as músicas tocadas na noite eram da autoria del nono. È… uma maravilha. A proposta do conjunto é renovar os tangos dando-lhes um arranjo “jazzístico”. Assim escapam de ser “mais um” e escapam da crítica possível de mero usufruto do sobrenome.
Gostei muito. Vibrei com a intensidade de Oblivion, uma das músicas mais lindas e melancólicas que conheço, com a malícia de Verano porteño, com os arranjos que permitiram a criação de tangos renovados pela improvisação do jazz, sem perder a marca das batidas originais do criador.

Mais uma vez me dei conta de como é bom me sentir feliz, e que a felicidade mais uma vez se revela como um encontro – breve? – com algo ou alguém que me permite viver o melhor de mim mesma. Nessa noite, o prazer profundo do encontro com a música que me apaixona há muito tempo e com a criatividade de alguém que se arriscou.

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