sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Buenos Aires, novamente

Abril é um mês lindo, tanto no Rio quanto em Buenos Aires. Gosto de celebrar meu aniversário, sem me importar (muito) com idade e velhice. Em 2011 decidi comemorar em Buenos Aires, dessa vez alugando um estúdio e sem curtir a muvuca da proximidade com a Calle Florida, a Paraguay, Santa Fé ou Esmeralda. O impecável apartamento ficava na Recoleta, região que reúne os edifícios mais glamorosos que conheço. Passear pelas ruas, entrar numa das muitas bonitas cafeterias para um capuccino com medialuna é o programa turístico mais simples e delicioso que conheço. A luz dos dias era brilhante, o ar transparente. A poluição do centro de Buenos Aires é tão intensa que, em certas estações do ano sinto a garganta dolorida e a respiração alterada. Mas o outono e a região da Recoleta foram uma combinação inédita das tantas vezes que visitei a Argentina.
Também pela primeira vez eu carregava uma máquina fotográfica, emprestada por minha prima. Eu estava decidida a registrar em fotos as portas dos edifícios – uma das coisas que admiro na cidade. Elas me falam da beleza e sobriedade que só a madeira confere aos objetos. São portas antigas, com aldravas douradas. Não sei quase nada de arquitetura, mas suponho que a maioria delas, como os prédios que anunciam data da primeira metade do século XX. Não há porteiros nesses prédios. Para uma carioca que vive cercada de entradas de vidro e porteiros vigilantes por toda parte – há um ar de mistério nesses prédios de entradas herméticas.
Vivi muitas coisas boas nessa viagem: assisti a um ballet no teatro Colón, agora remodelado, depois de tantos anos enrolado em obras e disputas; visitei a Feira Internacional de Livros na qual me perdi do meu marido. Muito tempo depois ele me encontrou, enfurnada no stand árabe, interessada nas publicações do Centro Cultural Islâmico e… nas tâmaras incrivelmente doces e macias, vindas da Arábia Saudita, à disposição do público visitante. Por uma incrível coincidência de datas, pude assistir ao workshop de Prem Rawat, (do qual já comentei). Eu tinha recebido suas Técnicas do Conhecimento poucos meses antes. Como gosto de estar junto de multidões, a experiência teve uma conotação existencial tão intensa quanto a espiritual. Centenas de pessoas se reuniram para ouvi-lo, uma oportunidade e tanto. Creio que um dos momentos mais sensorialmente prazerosos dessa estadia em Buenos Aires foi o pequeno passeio por ruas que ligam a avenida Libertador com a Figueroa Alcorta. Íamos visitar o MALBA – Museu da América Latina de Buenos Aires – mas o dia estava tão luminoso que decidimos caminhar até lá. Foi então que conheci essas ruas com suas imensas árvores e suas folhas douradas do outono, de mansões antigas, várias inteiramente cobertas de hera, belíssimos jardins, portões de ferro e… guaritas na porta. São muitas das embaixadas na cidade. As fotos estão neste post.
Não é à toa que ao perguntarem a um velho morador da cidade que visitava o Calafate:
- E então, como está Buenos Aires? Ele respondeu, irônico: “Falta pouco para que todos falem português…”

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