sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Una vez más

Agosto de 2014

Estou de volta à Buenos Aires.
É inverno, mas não parece. Estou contente porque assim posso caminhar prazerosamente, sem me sentir congelada, como outras vezes me aconteceu. Foi uma surpresa para turistas e argentinos. Temperaturas de primavera? Hum.. tudo pode acontecer nesse país turbulento e instável.



Hoje pensei que Buenos Aires e Rio de Janeiro são parecidas, usando parâmetros distintos pra dizer a mesma coisa. Ambas cidades são lindas. O Rio com suas praias, montanhas tão perto, sua “floresta interna”, seu sol que cotidianamente nos deixa boquiabertos pelo brilho absurdo e pelo impacto dos raios no mar, no contorno das pedras que envolvem as tantas praias. Buenos Aires não é nada disso. Sua beleza está na arquitetura de muitos bairros, com seus edifícios antigos de portas douradas, as madeiras e balcões desenhados em ferro por toda parte, a “reprodução” encantadora de Paris no fim do mundo... O Rio atrai por sua intensidade e exuberância, exageros por todos os lados. Buenos Aires é sóbria e melancólica, convida à introspecção, ao degustar os acontecimentos no tempo. Ela é nova, porque América. Mas antiga porque lembra sempre a Europa, não só pela arquitetura (que me apaixona), mas pelo chamado das coisas de sua cultura.

Os cariocas adoram estar nos bares, com amigos, colegas, amantes e namorados. Por horas falam alto, riem muito, trocam entre si sua vitalidade e desespero. Os portenhos lotam as confiterías, tomam chás, chocolates e cafés. E cervejas. Conversam muito, até tarde da noite. (Gosto de observar grupos de senhoras, bem idosas, com seus casacos de lã, papeando animadas na mesa do café). Ou, sozinhos, lêem um livro ou o jornal.

Dessa vez descubro mais uma coisa: há outra “identidade” entre as duas cidades: a experiência desgastante e frequente do “nada funciona”. Nem vale a pena agora enumerar. Penso nos amigos portenhos e em meus clientes estrangeiros – todos enlouquecidos com as dificuldades para resolver inúmeros assuntos, desde um bombeiro que marca sua vinda e não aparece nem deixa qualquer recado, até o burocrata que exige comprovantes de tudo que é besteira (ou assim nos parece quando comparada com a importância do trâmite).

Não sei o quanto tenho razão, não sei quem concordaria comigo agora. Penso, também una vez más, que fundamental é estar onde se escolhe estar, julgamentos pouco valem.

E é fácil perceber que o que muito me une às duas cidades é meu amor por elas...


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