Vi um espetáculo na TV Cultura: a
apresentação na Sala São Paulo da Orquestra de Metais Lyra-Tatuí. E
aí?… Chorei e ri quase uma hora. Não conseguia parar, a emoção mudou meu
estar-no-mundo de tal maneira que fiquei assim, boba e alegre. Pouca gente deve
saber dessa Orquestra: as coisas boas do
Brasil são muito pouco divulgadas. Somos bombardeados pela mídia por
notícias de violência, de corrupção, de desastres naturais absurdos nas suas
consequências, de ameaças de guerras. Pouco
tempo e espaço são dados a algumas maravilhas que existem no mundo. Mas
hoje vivi uma exceção: assistir, em casa, partilhando com meu marido
estrangeiro, à apresentação de crianças e adolescentes, brasileiros de Tatuí,
SP, tocando instrumentos de sopro e percussão, dançando em coreografia
original, cantando ou cantarolando lindamente. Um grupo grande e diversificado
na cor de suas peles, na escolha de suas músicas, nos instrumentos complexos ou
simples.
Lá pelas tantas houve um pequeno intervalo no programa e o maestro e
professor do grupo, Adalto Soares, contou sua experiência de ensino e regência
na pequena cidade, com essas crianças e jovens. Falou da alegria e medo deles
por se apresentarem na Sala São Paulo, tão cheia de prestígio que é. E das
apresentações, bem recebidas, em outras cidades, inclusive européias, como na
Alemanha. Logo descreve como a formação musical do grupo começa cedo e
apresenta uma menininha linda, de quatro anos. Pede a ela que toque, diante do
enorme público, uma nota em seu pequeno instrumento. E lá continuava eu
chorando. Quando, ao final do espetáculo, o grupo apresentou um pot-pourri de
músicas brasileiras clássicas, populares, um baião dançado com alegria e
sensualidade e… o hino nacional – pronto. Nunca consegui ouvir o hino sem
chorar muito. As lágrimas correm, a adrenalina corre solta. Emociono-me como se a música estivesse
salvando o Brasil, ali, agora. Nem adianta raciocinar, chamar uma lógica ou
a vergonha. É assim. Mas felizmente o
choro se misturava à minha alegria por
sentir orgulho daquelas crianças, daquele jovem maestro dedicado que me faziam
ver meu país com olhos mais generosos do que o cotidiano me favorece.

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