sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Meu choro bom

Vi um espetáculo na TV Cultura: a apresentação na Sala São Paulo da Orquestra de Metais Lyra-Tatuí. E aí?… Chorei e ri quase uma hora. Não conseguia parar, a emoção mudou meu estar-no-mundo de tal maneira que fiquei assim, boba e alegre. Pouca gente deve saber dessa Orquestra: as coisas boas do Brasil são muito pouco divulgadas. Somos bombardeados pela mídia por notícias de violência, de corrupção, de desastres naturais absurdos nas suas consequências, de ameaças de guerras. Pouco tempo e espaço são dados a algumas maravilhas que existem no mundo. Mas hoje vivi uma exceção: assistir, em casa, partilhando com meu marido estrangeiro, à apresentação de crianças e adolescentes, brasileiros de Tatuí, SP, tocando instrumentos de sopro e percussão, dançando em coreografia original, cantando ou cantarolando lindamente. Um grupo grande e diversificado na cor de suas peles, na escolha de suas músicas, nos instrumentos complexos ou simples.

Lá pelas tantas houve um pequeno intervalo no programa e o maestro e professor do grupo, Adalto Soares, contou sua experiência de ensino e regência na pequena cidade, com essas crianças e jovens. Falou da alegria e medo deles por se apresentarem na Sala São Paulo, tão cheia de prestígio que é. E das apresentações, bem recebidas, em outras cidades, inclusive européias, como na Alemanha. Logo descreve como a formação musical do grupo começa cedo e apresenta uma menininha linda, de quatro anos. Pede a ela que toque, diante do enorme público, uma nota em seu pequeno instrumento. E lá continuava eu chorando. Quando, ao final do espetáculo, o grupo apresentou um pot-pourri de músicas brasileiras clássicas, populares, um baião dançado com alegria e sensualidade e… o hino nacional – pronto. Nunca consegui ouvir o hino sem chorar muito. As lágrimas correm, a adrenalina corre solta. Emociono-me como se a música estivesse salvando o Brasil, ali, agora. Nem adianta raciocinar, chamar uma lógica ou a vergonha. É assim. Mas felizmente o choro se misturava à minha alegria por sentir orgulho daquelas crianças, daquele jovem maestro dedicado que me faziam ver meu país com olhos mais generosos do que o cotidiano me favorece.

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