Em abril de 2010 cheguei de viagem da
França. Pra começar, a alegria de conseguir pegar o último vôo que saiu de
Paris antes do aeroporto ser fechado por causa da erupção do vulcão na
Islândia. Mais uma emoção intensa, a última?
Fiquei pasma com tudo que vivi. Surpreendi-me ao me dar conta de quantas experiências podem acontecer num intervalo de tempo que, pelo calendário, não é grande coisa: 15 dias. Sair da rotina cotidiana de casa, trabalho, encontro com amigos, contas a pagar, médicos a consultar, providências a tomar, etc e etc é algo que abala a vida um bocado. Mas abala para o bem…
Estar em cidades que não nos eram familiares exigia a consulta constante dos mapas de ônibus, de metrô e de ruas. Uma enorme trabalheira que às vezes nos deixava ansiosos e irritados – o que, por sua vez, facilmente conduzia a discussões e até brigas entre nós (um casal maduro e cheio de diferenças de personalidade). Contudo não posso deixar de pensar que “a trabalheira” era mais uma experiência de abertura para o desconhecido, até algumas vezes enigmático. Algo que prezo muito.
Fiquei pasma com tudo que vivi. Surpreendi-me ao me dar conta de quantas experiências podem acontecer num intervalo de tempo que, pelo calendário, não é grande coisa: 15 dias. Sair da rotina cotidiana de casa, trabalho, encontro com amigos, contas a pagar, médicos a consultar, providências a tomar, etc e etc é algo que abala a vida um bocado. Mas abala para o bem…
Estar em cidades que não nos eram familiares exigia a consulta constante dos mapas de ônibus, de metrô e de ruas. Uma enorme trabalheira que às vezes nos deixava ansiosos e irritados – o que, por sua vez, facilmente conduzia a discussões e até brigas entre nós (um casal maduro e cheio de diferenças de personalidade). Contudo não posso deixar de pensar que “a trabalheira” era mais uma experiência de abertura para o desconhecido, até algumas vezes enigmático. Algo que prezo muito.
Estar em
cidades estrangeiras, (aí até posso incluir as estrangeiras dentro de meu
próprio país, tão diversificado ele é), é mesmo isso: sinônimo de aprender
tantas coisas novas – inclusive bobagens como o caminho para entrar em uma
cidade, a melhor linha de metrô a pegar, o que comer e em qual momento, de se
deslumbrar com obras de arte lindas como jamais havia visto antes, (como os
quadros de Monet no Museu Marmottan), descobrir paisagens com uma natureza
diferente da que me circunda, árvores lindas como as peupliers,tão arrumadinhas ao longo das estradas, que não existem no Brasil. Ainda
mais: minha curiosidade pelas gentes de outros lugares me levava a ler jornais
e comprar revistas. Quantas coisas assim reveladas!
Os temas que preocupam os
franceses, como as mudanças nas regras da aposentadoria, a greve de trens, as
malandragens de políticos (como sempre!), a crise na psicanálise (dizem eles…),
críticas ao presidente da república, livros lançados e comentados, anúncio de
espetáculos e exposições, ufa! Um montão de coisas inesperadas que me comovia
pelas problemáticas reveladas de um povo tão rico e educado. Em outros
momentos, eu sentia inveja da exuberância cultural e material que este mesmo
povo usufrui.
Afinal, o que também estou querendo dizer, falando disso tudo?
Acho que quero transmitir a riqueza inigualável de experiências novas e provocadoras proporcionadas por viagens a lugares que não nos são familiares. Como psicoterapeuta, não posso deixar de relacioná-las com a viagem possível para o interior de si mesmo que se dá no processo psicoterapêutico. Quantas vezes o medo do desconhecido, da multiplicidade, da diversidade do mundo, nos impede de pegar um ônibus, um trem ou um avião, e ir ao encontro de uma cidade, um vilarejo, uma estrada até então não percorrida? E quantas vezes o medo nos afasta de nós mesmos e impede o contato com emoções, sentimentos, lembranças e experiências que, se conhecidas e apreciadas no seu real valor, nos permitiriam uma vida mais rica, mais plena, menos sofrida, mais múltipla de escolhas?
Faz sentido?
Afinal, o que também estou querendo dizer, falando disso tudo?
Acho que quero transmitir a riqueza inigualável de experiências novas e provocadoras proporcionadas por viagens a lugares que não nos são familiares. Como psicoterapeuta, não posso deixar de relacioná-las com a viagem possível para o interior de si mesmo que se dá no processo psicoterapêutico. Quantas vezes o medo do desconhecido, da multiplicidade, da diversidade do mundo, nos impede de pegar um ônibus, um trem ou um avião, e ir ao encontro de uma cidade, um vilarejo, uma estrada até então não percorrida? E quantas vezes o medo nos afasta de nós mesmos e impede o contato com emoções, sentimentos, lembranças e experiências que, se conhecidas e apreciadas no seu real valor, nos permitiriam uma vida mais rica, mais plena, menos sofrida, mais múltipla de escolhas?
Faz sentido?

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