quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Viver Melhor

Ouvi José Saramago em uma entrevista na televisão e durante muitos anos acompanhei seus livros e seus lúcidos depoimentos na mídia. Sinto muita tristeza por saber de sua ausência, como pessoa física, nos tempos que virão. Ficam os livros, as lembranças, sua sabedoria. Tenho uma historinha sobre ele, muito pessoal. Amigos me incitavam a ter um blog. Eu não acreditava que podia fazê-lo. O pouco que eu sabia sobre blogs não combinava com o que eu poderia dizer, o que eu poderia escrever.


Nunca tinha lido nenhum, é verdade. Com a minha conexão tão precária – por telefone, discada! – nem pensar… Falar sobre o que fiz? Onde fui? Quem encontrei? Não fazia muito sentido. Até que li uma entrevista do Saramago e nela havia o endereço do blog dele. Ah, quero conhecer, pensei eu. Poucos dias depois consegui (esta é a expressão correta: consegui, por estranho que pareça para quem tem uma conexão “normal”). E fiquei encantada. Foi assim que mudei de idéia.

O que ele escreve é “escrevível” em um blog? Comentários curtos e incisivos, tão inteligentes, tão bem escritos, tão simples e profundos. Não mais consegui abrir outros blogs por um bom tempo. Mas foi lendo o de Saramago que decidi que eu poderia ter um. Claro que NÃO estou me comparando com ele. Nem pensar. Pudera eu ter um centésimo do seu talento. Mas, de algum modo, ele me inspirou e me ajudou a ousar escrever. Pensando bem, acabei fazendo como todo mundo, (com exceção dos jornalistas), que tem um blog: escrevo sobre o que fiz, onde fui, quem encontrei. Um pouco mais enrolada e prolixa, mas a mesma coisa que os outros.

Só não perco de vista a “consigna” de Virginia Woolf: a importância de se falar com a própria voz.


Saramago disse que todos buscamos viver melhor. Parece tão simples… Mas o simples não é fácil. Quantas pessoas encontro em meu consultório que não sabem dizer o que é, para elas, viver melhor.

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