Minha viagem a Orlando para participar da Convenção Anual da
American Psychological Association continua me alegrando. Leio o longo
artigo do psicólogo Dr. Eric Craig – Human Existence (Cún Zái). What is
it? What’s in it for us as Existential Psychotherapists? –
no qual ele descreve o significado dos caracteres chineses cún (“ser”,
“existir”, “sobreviver com sorte ou boa fortuna”, mas também “manter a salvo,
abrigado”) e zài (“aí” ou “em”). A combinação dos dois
caracteres é a expressão da língua chinesa para “existência”. No pensamento
existencial, originário no filósofo Heidegger, esta palavra indica o próprio do
ser humano – portanto, indica o estar envolvido, engajado, no mundo. O ser
humano não existe encapsulado, uma “subjetividade” isolada, diferenciada, do
outro. Ontologicamente estamos sempre envolvidos com os eventos do mundo, em
relação com todos os entes. Pensá-los separadamente foi o erro de Descartes,
perpetuado por séculos.
Minha viagem a Orlando para participar da Convenção Anual da American Psychological Association continua me alegrando. Leio o longo artigo do psicólogo Dr. Eric Craig – Human Existence (Cún Zái). What is it? What’s in it for us as Existential Psychotherapists? – no qual ele descreve o significado dos caracteres chineses cún (“ser”, “existir”, “sobreviver com sorte ou boa fortuna”, mas também “manter a salvo, abrigado”) e zài (“aí” ou “em”). A combinação dos dois caracteres é a expressão da língua chinesa para “existência”. No pensamento existencial, originário no filósofo Heidegger, esta palavra indica o próprio do ser humano – portanto, indica o estar envolvido, engajado, no mundo. O ser humano não existe encapsulado, uma “subjetividade” isolada, diferenciada, do outro. Ontologicamente estamos sempre envolvidos com os eventos do mundo, em relação com todos os entes. Pensá-los separadamente foi o erro de Descartes, perpetuado por séculos.
Craig se aproximou do pensamento de Lao Tse, como escrevi em outro
texto, e desde então procura a conexão do taoísmo com a analítica existencial.
Mas o que realmente quero dizer agora é como fiquei admirada com sua
descrição do que é “a maravilha da psicoterapia”.
Seu primeiro contato com a psicoterapia foi aos 13 anos, ao ler uma
coluna de revista popular que dizia como as pessoas que trabalhavam nesse campo
“dedicavam-se a resolver as dificuldades humanas”, que, diz Craig, não apenas
ocupavam, mas eram sua própria existência. Naquele momento ele
soube que aquilo era o que queria fazer na vida. Diz ainda: “(suspeito) que,
como muitos na nossa área, a solução para a necessidade de um psicólogo era
tornar-se um psicólogo”. Assino embaixo. Pensei em ser psicóloga quando tinha
15 anos e sofria imensamente os embates entre meus pais, sentia-me deslocada
entre colegas, confusa e perdida no mundo. Costumo dizer a meus clientes: é
natural, para mim, estar nos dois lados da relação terapêutica.

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