Quero reproduzir algumas afirmações de Erik Craig que descrevem
exatamente o que eu penso ser a psicoterapia e, particularmente, a psicoterapia
existencial:
“A tarefa do terapeuta não é fazer a coisa acontecer, mas buscar ao
máximo ver, ouvir, compreender e responder ao que está acontecendo (na relação
terapeuta-cliente)."
A atividade do psicoterapeuta existencial (e de outras psicoterapias
profundas), mesmo sendo muito prazerosa, é também muito exigente. Ela requer
conhecimento, compromisso e skill. É um modo de ser que exige
constante investigação da própria experiência humana e clínica.
O terapeuta existencial focaliza mais as possibilidades de saúde e menos
nas limitações das doenças; mais no potencial da tomada de consciência e menos
nas ameaças do que é inconsciente; mais na presença do ser humano e menos na
pessoa como um paciente com um diagnóstico médico; mais na relação imediata e
vívida relação e menos no que é chamado transferência; mais na unidade
inseparável do ser-um-com-o-outro, e menos no sentido de interação de “eus”
separados; mais nas possibilidades de liberdade e escolhas, e menos nas
limitações impostas pela biologia, pela genética e pelo ambiente.
A démarche existencial na psicoterapia é muito
sofisticada e exige uma considerável disciplina, uma combinação de
conhecimentos, skill e compromisso”. Craig cita Rollo May: “(a
psicoterapia existencial) exige disciplina e profundidade no processo de
formação, orientadas para compreender o ser humano como humano” (May, 1983,
p.159). E acrescenta o comentário de Nelson Mandela ao sair da prisão: “não há
um caminho fácil para a liberdade”. Isso é verdade na vida e na psicoterapia.”
O que escrevi agora é muito pouco em comparação com a complexidade e
beleza do artigo de Erik Craig. Embora ele diga que nos últimos 20 anos tem
havido uma certa efervescência no campo da Psicoterapia Existencial,
principalmente a partir do livro de Irvin Yalom (Existential Psychotherapy)
– e eu acrescentaria o impacto de seus outros livros ficcionais e
semificcionais –, somos poucos quando comparados a incontáveis linhas
psicoterapêuticas, aos desdobramentos (válidos ou não) das neurociências e às
inúmeras alternativas de aproximação ao sofrimento humano.
Enfim, amigos me dizem que um blog não sustenta um
texto longo. Assim fico um tanto inibida em me estender além da conta e acabo
me criticando pela superficialidade. Claro que concisão não é sinônimo de
superficialidade, mas no meu caso, é.
Acho que voltarei a escrever sobre os artigos desse psicólogo. Busco
disponibilidade para ler outros três que ele gentilmente me enviou.
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