sexta-feira, 18 de abril de 2014

Cún Zài: Existência Humana (parte II)

Quero reproduzir algumas afirmações de Erik Craig que descrevem exatamente o que eu penso ser a psicoterapia e, particularmente, a psicoterapia existencial:
“A tarefa do terapeuta não é fazer a coisa acontecer, mas buscar ao máximo ver, ouvir, compreender e responder ao que está acontecendo (na relação terapeuta-cliente)."
A atividade do psicoterapeuta existencial (e de outras psicoterapias profundas), mesmo sendo muito prazerosa, é também muito exigente. Ela requer conhecimento, compromisso e skill. É um modo de ser que exige constante investigação da própria experiência humana e clínica.
O terapeuta existencial focaliza mais as possibilidades de saúde e menos nas limitações das doenças; mais no potencial da tomada de consciência e menos nas ameaças do que é inconsciente; mais na presença do ser humano e menos na pessoa como um paciente com um diagnóstico médico; mais na relação imediata e vívida relação e menos no que é chamado transferência; mais na unidade inseparável do ser-um-com-o-outro, e menos no sentido de interação de “eus” separados; mais nas possibilidades de liberdade e escolhas, e menos nas limitações impostas pela biologia, pela genética e pelo ambiente.
A démarche existencial na psicoterapia é muito sofisticada e exige uma considerável disciplina, uma combinação de conhecimentos, skill e compromisso”. Craig cita Rollo May: “(a psicoterapia existencial) exige disciplina e profundidade no processo de formação, orientadas para compreender o ser humano como humano” (May, 1983, p.159). E acrescenta o comentário de Nelson Mandela ao sair da prisão: “não há um caminho fácil para a liberdade”. Isso é verdade na vida e na psicoterapia.”
O que escrevi agora é muito pouco em comparação com a complexidade e beleza do artigo de Erik Craig. Embora ele diga que nos últimos 20 anos tem havido uma certa efervescência no campo da Psicoterapia Existencial, principalmente a partir do livro de Irvin Yalom (Existential Psychotherapy) – e eu acrescentaria o impacto de seus outros livros ficcionais e semificcionais –, somos poucos quando comparados a incontáveis linhas psicoterapêuticas, aos desdobramentos (válidos ou não) das neurociências e às inúmeras alternativas de aproximação ao sofrimento humano.
Enfim, amigos me dizem que um blog não sustenta um texto longo. Assim fico um tanto inibida em me estender além da conta e acabo me criticando pela superficialidade. Claro que concisão não é sinônimo de superficialidade, mas no meu caso, é.

Acho que voltarei a escrever sobre os artigos desse psicólogo. Busco disponibilidade para ler outros três que ele gentilmente me enviou.

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