Felipe vivia na Indonésia quando lá conheceu Elizabeth Gilbert, autora
do livro Comer, Rezar, Amar – um best-seller já traduzido em 30 línguas. O
encontro dos dois e o início do namoro aconteceram antes desse livro ser
publicado. Por que eu o trouxe aqui? Dois motivos: primeiro o prazer simplório
de saber de um brasileiro vivendo a experiência especial de ser o marido amado
e admirado de uma escritora celebrada. Eu mesma estranho pensar isto. Mas é a
verdade. O segundo motivo é encontrar no marido Felipe uma declaração de amor à
Elizabeth que constitui uma aula de Psicologia. Simples, direta, cheia de
sabedoria.
Felipe aparece no texto publicado pela revista Oprah Magazine, (janeiro
2010), em uma amostra do novo livro de Elizabeth Gilbert cujo título é
Committed (Compromissada). O livro é uma “meditação sobre o casamento” e neste
trecho publicado na revista a autora faz reflexões sobre si mesma, suas
limitações nas relações amorosas, os “motivos” que a levam a amar Felipe, os
“avisos” que deu a ele sobre seus defeitos mais perigosos em um relacionamento.
Ele também fez a lista dele. Muito interessante. A franqueza dos dois é
tocante, fala de um jeito de ser pouco frequente na nossa cultura latina, penso
eu.
A declaração de amor à qual antes me referi foi feita em feitio de uma
narrativa pessoal de Felipe. Depois de ter feito a sua lista de defeitos,
Elizabeth pergunta se ele ainda a ama. Ele responde que sim. Como é que pode?
Tanta “coisa ruim” ela falou de si mesma e… Felipe então conta que quando
começou a negociar com pedras preciosas no Brasil ficava tão entusiasmado
quando encontrava uma ou duas águas-marinhas em um pacote de pedras que lhe era
oferecido para compra que não prestava atenção nas porcarias que vinham juntas
no pacote. E se dava mal por causa disso. Até que finalmente aprendeu a ignorar
as pedras perfeitas. Não devia nem olhar pra elas. Precisava colocá-las de lado
e olhar cuidadosamente as pedras ruins. E só então se perguntar honestamente:
posso trabalhar com estas? “É a mesma coisa com os relacionamentos”, diz ele.
“As pessoas se apaixonam pelos aspectos mais perfeitos da personalidade do
outro. Mas isso não é inteligente. A coisa mais inteligente é: você pode
aceitar os defeitos? Você pode olhar honestamente para os defeitos de seu (sua)
parceiro(a) e se perguntar: eu posso lidar com isso?” Porque é muito fácil a gente se encantar com as qualidades do
outro, seu brilho, seu charme especial para dizer ou fazer certas coisas. Quem
não se encantaria? Mas aceitar, do fundo do coração, e não como mera concessão
ou renúncia, os defeitos e chatices – ah, isso é outra coisa.
Enfim, o texto continua por aí afora. Mas gostei muito da analogia de
Felipe. De um modo leve e, ao mesmo tempo, consistente, ele mostrou um aspecto
dos relacionamentos amorosos que costumamos subestimar: olhar “o que não
presta” do “pacote” que todos somos ajuda muito a construir uma convivência
sólida, mas nem por isso necessariamente desprovida de brilho, humor,
imaginação e encantamento.
Que beleza! Adorei :-), Tô aqui as voltas com minhas pedras que não prestam, as vezes as próprias pesam mais que as alheias! Gratidao e saudades!!!!
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